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A vacina contra hepatite B deve ser administrada dentro das primeiras 12 horas de vida, ou, ao menos, antes da alta da maternidade. Esta é a orientação do Ministério da Saúde. É uma preocupação tão grande em termos de saúde pública, que o Ministério da Saúde, ao instituir o Calendário Básico de Vacinação das Crianças do Programa Nacional de Imunizações, através da Portaria 597, de 08-04-2004, recomendou a vacinação contra Hepatite B nas primeiras 12 horas de vida.
A importância de vacinar o mais precocemente possível reside no fato de que quase 90% dos recém-nascidos infectados por suas mães no parto tornam-se portadores crônicos, podendo transmitir a doença para seus parceiros durante a vida, sem saber que estão contaminados. Além disso, uma entre cada quatro crianças que contraem a Hepatite B no parto desenvolve câncer hepático ou cirrose.
As formas de contágio de hepatite B em recém-nascidos são através do parto, por contato com o sangue infectado da mãe (transmissão vertical) e através de sangue contaminado, como em transfusões (transmissão horizontal). Muitas mães são portadoras do vírus e não sabem disso, infectando os seus filhos e os riscos de transmissão vertical aumentam quando se tem alta carga viral materna. Além disso, o risco de transmissão de uma hepatite B aguda, autolimitada, ocorrida na gravidez, depende do período gestacional em que a infecção ocorreu: é maior o risco se a mãe se infectar no terceiro trimestre, quando geralmente ela já fez o exame de sangue e não o repetirá. Neste caso, 80 a 90% dos neonatos desenvolverão a forma crônica da doença, em comparação com 10% se ocorrer no primeiro trimestre. Esta cronificação precoce leva a um risco de aproximadamente 25% de evolução para cirrose ou hepatocarcinoma.
Evoluindo os recém-nascidos contaminados como portadores crônicos, transformam-se em reservatórios do vírus e o mantém na comunidade (muitos deles serão portadores assintomáticos). Assim, pela gravidade do processo para o próprio indivíduo e por ser uma forma de manter o vírus na comunidade, esta via de transmissão deve ser prevenida.
Além da sorologia materna durante o pré-natal, estudos já demonstraram que a aplicação isolada da vacina de hepatite B nas primeiras 12 horas de vida pode contribuir substancialmente para diminuir a transmissão aos bebês, independentemente de se conhecer esta sorologia.
A hepatite B é uma doença que o pediatra normalmente não vê, porque na maioria das vezes não apresenta manifestações clínicas na criança (portadora assintomática), vindo a apresentar sintomas e complicações na adolescência ou na idade adulta.
Lamentavelmente ainda não se adotou universalmente a vacinação nas primeira 12 horas de vida e muitas maternidades não observam esta determinação do Ministério da Saúde. Cabe aos médicos a iniciativa de prescrever vacina. Embora essa informação devesse fazer parte da rotina dos hospitais, nem sempre ela é fornecida.
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, por meio da Resolução SS - 39, de 22-3-2005, instituiu a vacinação obrigatória contra a Hepatite B nas primeiras doze horas de vida, tanto em maternidades públicas como particulares, em todos os nascidos vivos no Estado de São Paulo.
Os obstetras e pediatras precisam se conscientizar da importância da vacina nos primeiros momentos de vida, pois quanto mais cedo o indivíduo adquire o vírus da doença, piores as conseqüências, aumentando as chances de complicações no futuro.
Converse com seu pediatra sobre as vacinas necessárias nas primeiras horas de vida.
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